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Meu nome é Luana, mas pode me chamar de Lu, Lua, Nana, Vaca, Coisa, Peste, Querida ou o que quiser. Sou uma fotógrafa gorda, solteira e bastante aventureira quando se trata de relacionamntos amorosos. Sou do signo de escorpião, o que não diz muita coisa, mas se você realmente entender de astrologia, vai sacar logo quão estranha eu sou. Talvez você goste do que eu irei escrever aqui, talvez não goste. Talvez ache que eu só me dou mal, talvez se divirta. Talvez (assim como eu) ache que é muita exposição, mas talvez (assim como eu também) ache que compartilhar histórias seja divertido. Eu espero escrever sobre o que uma gorda vive nos diversos contextos que cercam a vida cotidiana. Mas calma! Eu não vou escrever todo dia, minha vida também não é tão agitada assim! E por favor, se você passar a gostar muito dos meus perrengues como uma solteira gorda, não reze pra eu nunca arrumar um namorado decente. Torça por mim!

Destaque-luana-fortes

Eu li o livro “Um bolinho é só o começo” onde uma jovem gorda não acredita que um homem lindo possa estar apaixonado por ela. É provável que isso já tenha acontecido com você. Aconteceu comigo diversas vezes e a mais recente história que tenho para contar tem muito a ver com esse romance, mas não acaba do mesmo jeito bonito. Foi uma história efêmera, porém bem intensa, ao menos para mim. 

O conheci na internet, em um desses sites de relacionamentos, isso acontece comigo desde os meus 18 anos. Hoje tenho 32. Estou acostumada com relações que começam na internet, para mim nunca houve problema nenhum em relação a isso. Sempre gostei muito de conversar e, talvez por eu ter sempre tido uma insegurança quase indecifrável quando se trata de aprovação, essa tenha sido uma das melhores formas que arrumei para conhecer pessoas novas. Não que eu use a internet apenas para conhecer homens, não mesmo; eu conheci muitas pessoas queridas que são amigas minhas até hoje. E já tive muitos, muitos relacionamentos “amorosos” com pessoas que conheci nessa rede.

Instalei o aplicativo no meu celular depois que uma amiga me falou: “Luana, você não usa o Tinder? Você tem que conhecer, você vai adorar!” Eu fiquei pensando naquilo na mesa do bar onde estávamos. Eu tinha acabado de terminar um namorinho de uns 6 meses e estava querendo ficar um pouco sozinha, mas isso eu não consigo. Cheguei em casa por volta das 3 da manhã, totalmente sem sono ainda, peguei meu celular e instalei o tal aplicativo. No primeiro coraçãozinho que apertei (o que quer dizer que você se interessou pelo cara), logo em seguida (aproximadamente uns 3 minutos) chegou uma notificação que eu tinha uma combinação nova. Caramba! Que rápido!  Eu só tinha visto a primeira foto dele, não tinha visto outras e muito menos a distância que ele estava de mim. Mas ele nem me deu tempo pra olhar, pois logo chegou uma mensagem. Começamos a conversar sem dar tempo nem pra eu largar o telefone e ir buscar um cigarro. Sério, desde o início tudo muito intenso. E lá veio a primeira inquietação minha: esse homem bonito, alto demais (adoro), moreno, barbudo (adoro mais ainda!) que faz doutorado (já??) e que mora em Botafogo (o bairro que mais amo do Rio!) deve achar que eu sou linda, tal quanto sou inteligente! (eu tenho que exaltar pelo menos uma boa característica minha).

Conversa vai, conversa vem…eu ansiosa por saber o gosto dele, arrumei um assunto que pudesse fazer com que eu chegasse até o que mais preocupava. Será que ele gosta de gorda? Pois bem, cheguei no assunto. Dei um jeito! E ele me respondeu: “Eu não ligo muito pra essa coisa de corpo, não. Eu gosto de mulher!”. Ahhhhhh! Fui ao céu!

Ficamos até às 6 da manhã conversando. Trocamos fotos e estranhamente mandei uma foto de corpo inteiro, onde um ex namorado estava junto comigo e meus amigos, segurando meu peito. Era uma brincadeira! Mas eu estava mais magra naquela foto e era a única que eu tinha de corpo inteiro. Ele riu dessa minha atitude, achou divertido e continuamos. Depois fomos dormir, claro, ninguém se aguentava mais de sono. No dia seguinte por volta das 11 da manhã eu acordo com o telefone apitando, era ele me dando bom dia e blá blá blá. Eu tinha que fotografar uma festa nesse dia, saí mais cedo de casa e quando eu já estava trabalhando, chega uma mensagem dele me perguntando onde eu estava porque ele queria muito me ver. Porra! Me ver desse jeito? Estou sem maquiagem, de roupa de trabalho, de ténis e GORDA!! Enfim, nesse dia eu consegui despistá-lo, fiquei até feliz pela bateria do celular ter acabado. Ele veio falar comigo no outro dia, era um domingo. Sabe o que ele queria? Me ver!

 – O que você vai fazer hoje?

– Eu ia a Petrópolis fazer um ensaio de uma menina, mas ela não acordou e eu agora estou sem fazer nada.

– Vamos nos ver? Vamos a algum lugar?

– Só se você vier em Campo Grande! – Eu disse, já querendo colocar obstáculos.

– Eu vou! Me ensina o caminho. – Disse ele aparentemente animado!

Eu fiquei nervosa, mas aceitei…e ainda sugeri um local legal. Ele ficou amarradão.

– Pode ser por volta das 17 horas?

– Pode, claro. – Eu disse, já pensando que teria tempo para pensar em uma roupa que me emagrecesse e fazer uma hidratação no cabelo.

 Então, já nesse dia, as coisas estranhas começaram a acontecer. (risos)

 – Luana, pode ser que você não acredite, mas meu pneu furou.

– Ah! Que merda…

– Mas eu vou trocar!! hehe – Ele disse um pouco puto por ter que trocar o pneu, mas ainda animado com a possibilidade de vir.

Um tempinho depois ele voltou e falou que já estava vindo. Pronto, saiu de casa. Agora ferrou! Que nada, lá vinha mais uma novidade! Ele me mandou uma foto dizendo que tinha acabado de acontecer com o retrovisor dele quando ele saiu de casa. Um motoqueiro tinha passado voado e quebrou o tal retrovisor. Porra! Mas será o possível? Tem que ser difícil mesmo? Então eu falei: – Ai, é melhor você não vir. Eu sou encucada com essas coisas, é melhor você não forçar, já que tem algumas coisas acontecendo. Fica em casa mesmo porque se acontecer algo ruim com você, vou me sentir super mal. – Ele concordou.

Continuamos conversando nesse dia e no dia seguinte e no seguinte, quando já era terça-feira e eu tinha que ir encontrar uma cliente na Tijuca. Como de costume, comentei com ele. Ele na hora falou que queria me ver e que daria um jeito de fugir do trabalho por uma ou duas horas. – Meu Deus, mas esse homem não desiste??? – Pensei já achando essa vontade dele apressada muito estranha. Mas tudo bem, aceitei e me vesti da mesma maneira que eu estava vestida no sábado quando eu falei que estava feia e que não poderia vê-lo. Por que eu fiz isso??? E, para a minha surpresa ele foi mesmo ao meu encontro, paramos em uma ruazinha do bairro e ficamos batendo papo por ali mesmo. Até que a gente se pegou. Putz! Apaixonei! Ele me viu desse jeito toda largada, conversou muito bem comigo, me beijou e não me tratou feito uma puta gorda qualquer. Ele foi bom, muito bom!

Quando ele voltou para o trabalho, eu corri para a casa de uma amiga. Eu estava feliz, porém ainda insegura, pensando: O que esse homem lindo quer comigo, gente?  Depois disso ele viajou no feriado para uma cidade do interior, onde mora sua família. E ele ficou estranho nesses dias, quase não falava comigo. Eu fiquei logo pensando que já tinha desinteressado, que ele apenas tinha aproveitado o momento, me tratado bem e me dado o fora.

– Oi, você está bem? – Resolvi perguntar.

– Oi, estou. Bati de carro ontem, mas eu estou bem.

– Como assim bateu de carro? Como foi isso? Você se machucou? Machucou alguém? Tinha alguém com você?

– Estou bem, não tinha ninguém comigo e nem me machuquei. – Ele foi assim, sucinto.

No dia seguinte chegou uma mensagem com várias fotos do carro todo ferrado. Olhei aquilo e fiquei imaginando se ele não havia se machucado mesmo, uma vez que o carro estava acabado. Então eu soube que ele tinha capotado três vezes, ido parar no meio do mato numa ribanceira e que tinha deslocado o braço. Ele sempre contava isso de uma forma que parecia muito tranquilo e eu nunca ficava tranquila. Passaram-se uns dias e ele me pediu para eu ir ao médico com ele, já que só pra isso ele podia sair de casa, mas queria me ver. Não fui ao médico com ele (claro, corri!), mas encontrei com ele mais tarde, quando ele voltava do consultório. Ele tinha feito a barba e estava com a aparência muito cansada. Fomos comer enquanto ele me contava os detalhes do acidente e como tudo aconteceu. Nos pegamos nesse dia, mas ele mal conseguia mexer o lado esquerdo. Resolvi ir embora para não piorar a situação, já que nesse dia eu tinha colocado um vestido de gorda sexy e estava me sentindo gostosa. Sabia que se não fosse por ele estar com o lado esquerdo imobilizado, eu daria pra ele.

Depois desse dia, ele ficava me narrando tudo o que acontecia com ele em relação às dores que sentia e o quanto estava chateado de não poder sair de casa. Tudo bem. Passaram-se uns diazinhos e estávamos todos os dias nos falando por quase o tempo todo. Ele voltou ao trabalho e então marcamos de nos ver. Eu já estava me sentindo muito apegada a ele, sabia que o tom das nossas conversas beirava o romantismo e aquilo pra mim não era normal. Nunca fui romântica ao ponto de dizer que andaria de pedalinho na Lagoa com alguém (inclusive, quando ele jogou essa ideia, eu falei que iríamos afundar). Ele me disse que queria fazer isso e que queria sair comigo pra fotografar. Ahhhhh, esse homem quer o que de mim, gente?

No dia em que marcamos ele ficou quieto o dia inteiro, não falou comigo e eu achei aquilo estranho. Mas como tinha trabalhos a fazer na rua, fui fazê-los e na hora marcada cheguei ao local. Não vou contar em detalhes tudo o que aconteceu, lógico, mas digo uma coisa: Ferrei com tudo no final!

Eu sai de lá pensando que eu tinha vivido um momento muito bom apesar dos problemas que ele havia me contado (ele se ferrou mais uma vez) sobre o trabalho de doutorado dele e por ele mesmo ainda não estar bem o suficiente para fazer o que fizemos. Sei lá o que me ocorreu depois disso tudo. Sei que inconscientemente eu achei que tinha que sabotar essa relação porque ele era bom demais pra mim. Eu tentava pensar: Calma, Luana. Ele só tem 26 anos, você tem 32. Você é bem mais velha, tem mais experiência e ele está apaixonado por você. E foi pensando nisso que acabei estragando tudo. Tratei ele mal logo após nós termos nos dado super bem, logo após ele ter me tratado muito bem. Não falei com ele quando cheguei em casa, o que ele tinha me pedido pra fazer. No dia seguinte ele me perguntou se eu estava chateada com ele. Falei que não, mas continuei tratando ele mal. E pior, insinuei que ele não era bom no sexo.

Ahhhh! Por que eu disse aquilo? Me arrependi, mas agora ele está chateado, magoado, irritado e com o ego ferido. Nesse exacto momento também pensei: Dane-se! Isso não daria certo mesmo! Mas dias depois ele ainda falava comigo, mesmo que monossilábico, mas falava. Acho que ele estava tentando. Aí eu resolvi pedir desculpas. Pronto, mudou o jogo! Aí ele quase não falou mais. Deixei pra lá mais uma vez, descartei o número dele com a finalidade de não mais procurá-lo. Foi o que eu fiz, até ter um sonho muito estranho, acordei inquieta e muito, muito preocupada com ele. No sonho ele me dizia que não podia falar, mas que eu entenderia. – Que porra de sonho é esse? – Pensei. Fui procurar um jeito de falar com ele e achei uma chamada no celular, mandei uma mensagem:

– Oi, você está bem? Tive um sonho estranho. Preciso saber que você está bem!

– Oi, estou bem agora. Teve um incêndio no andar de cima do meu prédio e fui intoxicado, não posso falar com ninguém. – Disse ele desse jeito seco.

– Não pode falar, mas pode escrever. Me conta, por favor o que aconteceu com você. – Implorei mesmo.

Ele me contou superficialmente o que aconteceu e então conversamos um pouco sobre o que estava acontecendo com a gente. Eu vi que ele estava tentando de algum jeito não parecer que estava triste com esses acontecimentos e que também não estava magoado comigo ainda por eu ter ferido seu ego. Falou que eu podia continuar a falar com ele, que ele sempre me procurava mas que eu não respondia. Enfim, não entendi nada daquela conversa, uma vez que ele jogava palavras quase que ao vento para que eu pudesse decifrá-las. Cansei novamente daquilo. E mais uma vez pensei que eu tinha que me manter longe dele porque (pasme!) eu levava azar pra ele.

Dentre todos os meus pensamentos destrutivos acerca da minha personalidade, o ser gorda era o que mais me alcançava. O pensamento de não merecer aquele cara que tinha lá seus problemas, me fez estragar um belo momento lá atrás de um encontro amoroso e sexual, quando disse grosserias e insinuei que ele não era tão bom assim.

Ele sumiu. Não falou mais comigo. Achei que fosse acabar por aí…mas não acabou.