Texto2-LuanaFortes

Dia desses eu saí com um cara que conheci através de uma amiga da faculdade. Ele pegou o meu número do celular e me chamou no tal do WhatsApp dizendo que queria fazer um ensaio fotográfico dele com a filha.

Conversamos educadamente e muito formalmente sobre o trabalho. Papo vai, papo vem…passaram-se dias e acabamos trocando idéias não só sobre fotografia. Todo dia nos falávamos. Acho que ficamos amigos do tipo coloridos. Chegamos a trocar uns beijos. Mas os meses foram passando, ficamos mais amigos e mais íntimos. Ele, pra variar, achava que não devíamos ficar só nos beijos. Problema é dele. Mas foi nesse último encontro que ele me encheu a porcaria do saco. Sentamos para beber um vinho em um restaurante onde as mesas ficam à beira da rua. Achei o máximo! Poderia fumar!

Aí começou:

– Ahhhhhhhhh, você não vai fumar, não!
– Oras, claro que vou! – Peguei o cigarro e o isqueiro!
– Mas você disse que tinha parado!
– E parei, por 8 dias.
– E agora vai voltar? Vai não!
– Não é agora. Já voltei faz três dias!
– Mas na minha frente você não vai fumar.
– Então levante-se e vai ali na esquina por 7 minutos.
– Eu não! – Ele fez o gesto de vir pra cima pegar o cigarro da minha mão.
– Mas que porra é essa? Não vai pegar! Eu vou acender!

O isqueiro caiu no chão, abaixei para pegá-lo, ele ao se levantar, perdeu o equilíbrio e sentou novamente, só que com a cadeira em cima do meu pé. Poooooooorra! – Gritei de dor, óbvio. Ele baixou a cabeça para ver o que era e quando gritei de novo, ele a levantou. Poooooooorra! – Gritei de novo. Ele deu com a cabeça na minha boca. Na mesma hora ficou inchado com uma bolha roxa de sangue.

– Cacete! Olha o que você fez!
– Desculpa, desculpa! Mas agora você não vai conseguir fumar.
– Uma ova! Me dá o isqueiro!
– Eu não vou brigar mais com você porque agora eu te machuquei sem querer e estou com a consciência pesada!
– Então me dá essa merda e me deixa fumar.

Foi então que ele se ajoelhou, bem ali, na frente de todo mundo, levantou os braços e começou a falar alto me pedindo pra não fumar. Eu, morta de vergonha, joguei o cigarro na mesa e pedi pelo amor de santo cristo que sentasse. Mas ele continuou. Morri de vergonha. Não tive outra opção: Peguei minha bolsa com mais cigarros dentro, levantei e saí de lá com ele ainda ajoelhado pagando aquele mico. Nem vi se as pessoas olhavam, mas certamente estavam rindo de tudo aquilo.