AutoEstimaPlusSize-LuanaFortes

Pela primeira vez fui a um evento de moda. Foi uma reinauguração de uma loja Plus Size. Fui convidada para fotografar a Ju e fui na maior boa vontade. Adoro fotografar e amo agradar a minha amiga. Fui com uma expectativa, voltei com uma nova realidade. Eu sempre fui gorda desde criança. Claro que teve épocas em que emagreci bastante, mas sempre me considerei gorda. Isso nunca foi impeditivo pra nada na minha vida, a não ser comprar roupas. Meu estilo (se é que tenho um) é difícil de ser agradado. Mas com o advento das marcas Plus Size se intensificando no Brasil, as coisas parecem estar melhorando, mas também não é de moda que quero falar e sim de comportamento e autoestima.

Acho que na verdade eu sempre vivi meu mundo de gorda sozinha e, por isso, criei meu mundo. É lógico que conheço mulheres gordas, mas nenhuma exatamente que leve o meu estilo de vida: Solteira, independente, gorda e que se vira com os homens. Sempre conversei com mulheres solteiras, com mulheres gordas, com mulheres independentes…enfim. Mas, engraçado, tinha uma coisa sobre a minha imagem que eu precisava desbloquear, é a questão da imagem física mesmo. Aquela do espelho, aquela da foto. No dia em que estive com muitas mulheres de vários estilos nessa reinauguração de loja Plus Size, presenciei e senti tanta desenvoltura, relaxamento (no melhor dos sentidos), amor por si e pela imagem, que sinceramente? Me deu um puta gás! Estive mais perto da Juliana, da Jéssica, da Maristela e da Patrícia. Essas meninas me ensinaram que realmente a figura que se deixa passar para o outro é a que você mesma pode sentir de você. Nunca pensei que eu não me aceitasse de fato, mas conhecendo melhor algumas delas, pude perceber que faltava muito para me aceitar. Quer saber de uma coisa? Mudou muito a minha vida! Todas as meninas que estavam na loja, as blogueiras, as modelos, as publicitárias, as convidadas…essas esbanjavam amor próprio, estilo e segurança. Pensei: Por que diabos você, Luana, não deixa de lado o que os outros pensam de você e exiba sim (quando quiser) quem é você!? Você é gorda? Sim! Porra, mas e daí? Você é só isso? Não! Então mostre você por inteira! Não que eu vá sair por aí me achando deliciosamente linda aos olhos de todos, mas se eu simplesmente exercitar meu desprendimento sobre o que os outros pensam da minha silhueta, vou ficar cada vez mais solta comigo mesma.

Era isso que faltava pra eu ser aquela mulher mais segura que todo mundo acha que eu sou (e talvez eu seja mesmo), mas que ainda assim se preocupa demais com que os outros vão pensar sobre a minha bunda grande, meus braços robustos e minhas bochechas fofas. Quer saber? Me desprendi disso. Comecei postando uma foto que eu nunca postaria, onde mostra parte de mim até a barriga. Estava gorda na foto? Oras, estava! E eu não sou? Mas eu estava com duas pessoas muito queridas e foi um momento muito divertido. Porque não mostrar aos outros que já sabem que sou gorda, gente? Eu quero agradecer à Ju, minha amiga que tanto amo e admiro pela forma que tomou durante esses anos. Quero agradecer à Jéssica que depois de tantas intempéries conseguiu que eu também a admirasse. À Maristela que serviu como espelho pra mim, pois tem uma vida amorosa bem parecida com a minha. E à Patrícia que mesmo falando pouco, consegui tirar dela alguma boa experiência. Que meus degraus sejam muitos, mas que eu consiga subi-los de acordo também com o que vocês me mostraram! Obrigaaaaaada!

Mas eu fiquei tão empolgadinha com tudo isso e comecei a pensar sobre os ensaios fotográficos que faço. Fotografo mulheres em sua maioria e muitas vezes eu preciso dizer sobre a veracidade dos corpos delas e sobre aceitação própria. Sempre consigo fazê-las mudar de pensamento quanto aos seus corpos. Mas e aí, e o meu? Quem me faz mudar de ideia sobre mim? Foi então que resolvi seguir os conselhos de um amigo, também fotógrafo e com o coração cheio de boa vontade. Ele repetiu inúmeras vezes tudo aquilo que já falei para as minhas clientes e amigas, mas pediu de coração que eu me ajudasse começando a me fotografar. Sim, um autorretrato para eu começar a me aceitar do jeito que sou. Confesso que foi extremamente difícil, então resolvi fazer na escuridão só com um fiapo de luz e, acabei gostando de verdade do resultado. O processo é lento, são 33 anos de autoestima ferrada, mas vou trabalhar todos os dias pra isso.